Quem está estudando a saúde da mulher aos 40? E por que isso importa pra você 🎀👠💄


Se você ainda não ouviu falar em perimenopausa, pode ser que ela já esteja acontecendo com sua mãe, sua tia ou alguém bem próxima de você. E a boa notícia é: a ciência finalmente está olhando para isso com seriedade.

Mas de onde vêm essas informações? Como separar o que é ciência do que é conteúdo de venda disfarçado de saúde? Esse texto existe para ajudar a entender quem são as pessoas certas a seguir — e, mais importante, onde buscar as fontes.


🔬 O que os cientistas estão descobrindo

JoAnn Manson é professora de medicina e saúde da mulher na Harvard Medical School e chefe da Divisão de Medicina Preventiva do Brigham and Women’s Hospital. É a única pessoa a ter atuado como pesquisadora principal nos dois maiores estudos de saúde feminina já conduzidos nos EUA — o Women’s Health Initiative e o Nurses’ Health Study — e está entre os 1% de cientistas mais citados do mundo. Wikipedia Suas pesquisas cobrem terapia hormonal, saúde cardiovascular, diabetes, cognição e prevenção de câncer em mulheres — e seus artigos publicados em 2024 e 2026 no JAMA e em outras revistas de alto impacto continuam moldando diretrizes clínicas globais.

Lisa Mosconi é neurocientista italiana, diretora do Women’s Brain Initiative e do Alzheimer’s Prevention Program no Weill Cornell Medicine em Nova York. Seu trabalho é revelador: as pesquisas dela mostraram que mulheres com predisposição ao Alzheimer desenvolvem placas amiloides — ligadas à doença — já durante a perimenopausa, muito antes do que se acreditava. Wikipedia Isso muda completamente a janela de intervenção para prevenir o declínio cognitivo. Em 2025, Mosconi assumiu como diretora de programa no Wellcome Leap para liderar o CARE (Cutting Alzheimer’s Risk through Endocrinology), uma iniciativa de US$ 50 milhões com duração de três anos. Seu livro The Menopause Brain (2024) é best-seller internacional e seu TED Talk sobre o tema já foi assistido mais de quatro milhões de vezes.

Nos Estados Unidos, Yousin Suh e Zev Williams, da Universidade Columbia, estão conduzindo um estudo com mais de mil mulheres entre 35 e 45 anos investigando se uma substância chamada rapamicina consegue desacelerar o envelhecimento dos ovários. Os primeiros dados sugerem que a droga pode reduzir esse envelhecimento em quase 20%, retardando a menopausa e potencialmente aumentando anos de vida com saúde. Fisher Scientific Ainda é ciência em andamento, mas é exatamente o tipo de pesquisa que muda protocolos clínicos nos próximos anos.

Na Michigan State University, as pesquisadoras Kelly Klump, Katharine Thakkar e Kristen Culbert conduzem o primeiro estudo a examinar de forma abrangente como as mudanças hormonais da meia-idade podem influenciar a psicose e outros desfechos de saúde mental. MSUToday São 750 mulheres entre 40 e 60 anos fornecendo amostras diárias de saliva — um nível de granularidade nunca antes visto nesse campo.

Na Europa, o programa Horizon Europe financiou com €12 milhões o projeto Caramel, voltado à prevenção de doenças cardiovasculares em mulheres entre 40 e 60 anos. Nature Esse projeto conversa diretamente com o ODS 3, que propõe reduzir mortes prematuras por doenças não transmissíveis — e a saúde cardiovascular feminina na meia-idade é uma das fronteiras mais urgentes dessa meta.

Susan R. Davis, da Universidade de Monash (Austrália), e Stephanie Faubion, diretora médica da The Menopause Society (EUA), são referências científicas centrais no campo — ambas participam ativamente de publicações, congressos internacionais e formulação de diretrizes clínicas. Faubion defende que a perimenopausa está diretamente ligada à saúde do cérebro, do coração e dos ossos ao longo da vida. Axios

Por fim, Ekta Kapoor, endocrinologista e especialista em menopausa da Mayo Clinic, liderou um estudo com quase cinco mil mulheres entre 45 e 60 anos que revelou algo alarmante: mais de três em cada quatro apresentavam sintomas da menopausa, mas a maioria atravessava essa fase sem nenhum acompanhamento médico. Mayo Clinic News Network


📱 Quem comunica bem — e com responsabilidade

A ciência sozinha não chega até as pessoas. Por isso, comunicadores importam — especialmente quando são clínicos que entendem tanto de evidência quanto de linguagem acessível.

Dr. Mary Claire Haver, ginecologista americana, tem mais de 2 milhões de seguidores no TikTok, escreveu um best-seller sobre menopausa e não abre mão da base científica nos seus conteúdos. É o tipo de perfil que inspira como comunicar — mas que sempre convida o seguidor a aprofundar nas fontes.

No Reino Unido, médicas como Dr. Louise Newson, Dr. Naomi Potter, Dr. Shahzadi Harper e Dr. Punam Krishan tiveram papel central em tornar mainstream as conversas baseadas em evidências sobre menopausa nas mídias, políticas públicas e plataformas sociais. The Ribbon Box

Tamsen Fadal, jornalista americana premiada com Emmy, lançou em 2025 o livro How to Menopause e é um exemplo de comunicadora que construiu uma ponte entre o universo científico e mulheres que não têm formação na área.

Há também o lado mais leve da comunicação — criadores de conteúdo que usam o humor para normalizar a conversa. Melani Sanders transformou a perimenopausa em um fenômeno de comédia nas redes sociais com o “We Do Not Care Club”, viralizando e conseguindo um contrato editorial. Hone Health O humor pode ser uma porta de entrada — mas a porta precisa levar a algum lugar com mais substância.


⚠️ O alerta que vale guardar

Junto com o crescimento do interesse na saúde feminina na meia-idade, cresceu também um mercado enorme de suplementos, testes hormonais caseiros e “protocolos” vendidos nas redes sociais sem base científica sólida. Pesquisadores da Universidade de Sydney estão mapeando exatamente isso: como o marketing nas redes sociais promove intervenções sem evidência para mulheres nessa fase da vida.

Isso não significa que as redes sociais são o problema. Significa que a distinção começa em uma pergunta simples: essa informação tem fonte?


📚 Por onde começar a buscar fontes seguras

The Menopause Society (menopause.org) — publica diretrizes clínicas atualizadas regularmente.

PubMed / NCBI (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov) — base de dados de artigos científicos revisados por pares. Dá pra buscar por termos como “perimenopause nutrition”, “menopause cardiovascular” e “estrogen mental health”.

Nature e The Lancet — revistas científicas de alto impacto que têm publicado matérias especiais sobre saúde feminina na meia-idade.

Biblioteca Virtual em Saúde (bvsalud.org) — em português, com acesso gratuito a literatura nacional e internacional.


O mercado global de saúde na menopausa movimentou cerca de US$ 18 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 27 bilhões até 2030 Axios — impulsionado por mulheres que se recusam a sofrer em silêncio e por uma ciência que finalmente as colocou no centro da pesquisa. Entender quem está produzindo conhecimento sério sobre o tema é o primeiro passo para consumir informação com consciência e, quem sabe, fazer escolhas mais fundamentadas para a própria saúde.


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